Crime Virtual: o perigo da exposição compartilhada na internet

CRIME VIRTUAL:
O perigo da exposição compartilhada na internet

 

Com o surgimento de dispositivos que permitem a comunicação entre usuários na Internet, cresce a quantidade de pessoas conectadas. A chegada da rede sem fio aumentou o número de usuários acessando a Internet. As facilidades de pacotes de serviços que os provedores ofertam, hoje a um valor bem baixo e ainda com alta velocidade, fez com que mais pessoas tenham acesso à Internet.


Quanto mais pessoas acessam à Internet, maiores são os perigos de ataques à rede.

Não tem como saber quem está do outro lado da rede, são pessoas de vários lugares do mundo, motivados por vários tipos de interesses, desde financeiros e lazer até objetivos criminosos.

Por trás da facilidade de acesso há usuários maliciosos que buscam informações privilegiadas. Quando um usuário consegue invadir um sistema, ele se sente seguro suficiente para manipular contas bancárias, modificar contas de e-mail de usuários, alterar o banco de dados de uma empresa concorrente, roubar informações pessoais e/ou sigilosas dentre muitas outras possibilidades.

Embora não seja verdade, muitas pessoas ainda acreditam que a internet lhes assegura o anonimato. Ademais, ainda existem pessoas que são lesadas por criminosos virtuais mas que acreditam que nada pode ser feito contra aquele que a lesou.

Atualmente muitas informações são facilmente disponibilizadas, pois as pessoas sentem a necessidade de interagir com quem conhece e com quem não conhece, e não é só, adquiriram o hábito de compartilhar junto a sua rede de amigos em redes sociais diversas, fotografias e até mesmo sua rotina.


A influência das redes sociais


Esta exposição aumentou com o surgimento dos
sites de relacionamentos como Orkut (já extinto), Twitter, Facebook, Linkedin, dentre outros e, consequentemente, aumentou também a vulnerabilidade daqueles que as expõem.

Na maioria das vezes as informações disponibilizadas em redes sociais são de domínio
público. Há a possibilidade de restringir o acesso de pessoas desconhecidas aos conteúdos divulgados, mas muitas vezes os usuários não sabem como manusear estes recursos ou mesmo não têm interesse em privá-las, permitindo assim que qualquer pessoa tenha acesso a tudo aquilo que publica: fotos pessoais, dos filhos, nome da escola que os filhos frequenta, hotéis onde a família costuma passar suas férias, locais que frequenta, dentre outros. Por essa razão, esses usuários tornam-se vítimas fáceis de criminosos virtuais que criam perfis falsos nas redes sociais e ficam coletando informações em perfis públicos de usuários que não protegem seus dados. Estes criminosos estão dispostos a praticarem uma ampla gama de crimes que podem trazer sérios danos pessoais e patrimoniais às vítimas.

Segundo Crespo (2011), atualmente, em alguns estados brasileiros já existem as Delegacias de Polícia Especializadas em crimes virtuais as quais investigam crimes de informática próprios e impróprios. No entanto, a maioria dos municípios não conta com Delegacias Especializadas em crimes virtuais e estes ficam a cargo das Delegacias de Polícia locais. Assim, apesar da grande ocorrência de crimes virtuais, ainda é pequeno o número de especialistas trabalhando para combatê-los.

As recentes Leis e suas inovações trazem soluções para alguns problemas e paliativos para outros. Sua aplicação continua falha, deste modo, conclui-se que a polícia brasileira ainda carece de capacitação para enfrentar adequadamente os crimes virtuais, tendo em vista que são muitas as falhas e lacunas existentes nas poucas legislações que existem.

Assim, Vancim e Neves (2015) sugerem que para que seja possível combater os crimes cometidos pela internet, é necessário que se invista na criação de delegacias especializadas e na contratação de peritos altamente qualificados para as investigações. É necessário também que sejam criados centros de segurança cibernéticos com todo aparato necessário, como já ocorre nos Estados Unidos e de leis específicas e mais eficazes, que institua penas severas o suficiente para desmotivar a prática desses delitos.

Para as lan houses, é importante que exista um controle e cadastros de usuários que contenha as informações necessárias para auxiliar na identificação dos agentes criminosos, devendo ser regulamentada, ainda, a responsabilidade do proprietário do equipamento emissor das informações, pois dessa forma, na impossibilidade de localizar o criminoso que utilizou o computador para a execução do crime, a responsabilidade seria direcionada ao proprietário da máquina.

Por fim, talvez sendo este o ponto mais importante, é preciso que se invista na conscientização dos usuários pois o descuido, a falta de dispositivos de proteção e a exposição indiscriminada de dados pessoais na internet são os fatores que mais contribuem para a ocorrência de crimes virtuais. Não se sugere aqui, que se restrinja a liberdade de expressão, mas que a vida privada seja resguardada e compartilhada apenas com os amigos reais, já que a identidade dos amigos virtuais é desconhecida e na ocorrência de um evento criminoso, esse poderá ficar sem punição em razão da dificuldade de localizar os infratores.

 

REFERÊNCIAS

CRESPO, Marcelo Xavier de Freitas. Crimes Digitais. São Paulo: Saraiva, 2011.

VANCIM, Adriano Roberto. NEVES, Fernando Frachone. Marco Civil da Internet. 2. São Paulo: Editora Mundo Jurídico, 2015.

2017-12-13T14:47:36+00:00
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